segunda-feira, 28 de dezembro de 2020

Spinoza.

 

Quem viria a ser o Baruch Spinoza?

Bom… a pergunta correta é quem FOI Baruch (ou Bento) Espinosa.

Este importante filósofo (1632–1677) nasceu em Amesterdão, filho de pais portugueses de Vidigueira (Alentejo), que fugiram de Portugal aquando da perseguição aos judeus.

É considerado o Príncipe dos filósofos, e foi no mundo e cultura judaica que se desenvolveu o seu pensamento, que mais tarde influenciaria Descartes e todo o mundo pensante do seu tempo.

Na sua vida sofreu imensas provações. Merecem destaque dois textos:

1- A definição de Deus, segundo Bento Espinosa, é a de um Deus que está e se revela na Natureza. O Deus de Espinosa diria:

Pára de rezar e bater no peito. O que Eu quero que faças é que saias pelo mundo e desfrutes da tua vida. Eu quero que gozes, cantes, te divirtas e que desfrutes de tudo o que Eu fiz.

Pára de ir a estes templos lúgubres, obscuros e frios que tu mesmo construíste e que acreditas ser a minha casa. A Minha casa está nas montanhas, nos bosques, nos rios, nas praias. Aí é onde eu vivo e expresso o meu amor por ti.

Pára de me culpar pela tua vida miserável; eu nunca te disse que eras um pecador.

Pára de ler supostas escrituras sagradas que nada têm a ver comigo; se não podes ler-Me num amanhecer, numa paisagem, no olhar dos teus amigos, nos olhos do teu filhinho, não me encontrarás em nenhum livro.

Pára de ter medo de mim. Eu não te julgo, não te critico, não me irrito, não me incomodo, nem te castigo. Eu sou puro amor.

Pára de me pedir perdão. Não há nada a perdoar. Se Eu te fiz... Eu te enchi de paixões, de limitações, de prazeres, de sentimentos, de necessidades, de incoerências, de livre-arbítrio. Como posso castigar-te por seres como és, se fui Eu quem te fez? Crês que eu poderia criar um lugar onde queimar todos os meus filhos, que não se comportassem bem, pelo resto da eternidade? Que tipo de Deus pode fazer isso? Esquece qualquer tipo de mandamento que em ti só geram culpa. São artimanhas para te manipular, para te controlar. Respeita o teu próximo e não faças aos outros o que não queiras para ti. A única coisa que te peço é que prestes atenção à tua vida; que o teu estado de alerta seja o teu guia. Tu és absolutamente livre para fazer da tua vida um céu ou um inferno.

Pára de crer em mim... crer é supor, imaginar. Eu não quero que acredites em mim. Quero que me sintas em ti quando beijas a tua amada, quando agasalhas a tua filhinha, quando acaricias o teu cão, quando tomas banho de mar.

Pára de louvar-me! Que tipo de Deus ególatra acreditas que Eu seja?

Tu sentes-te grato? Demonstra-o cuidando de ti, da tua saúde, das tuas relações, do mundo. Expressa a tua alegria! Esse é o modo de me louvar.

Pára de complicar as coisas e de repetir como um papagaio o que te ensinaram sobre mim. Não me procures fora porque não me acharás.

Procura-me dentro de ti... É aí que Eu estou.

2 - O conteúdo da acusação judaica (o Banimento redigido em português), quando foi expulso desta comunidade:

Os Senhores do Mahamad [Conselho da Sinagoga] fazem saber a Vosmecês: como há dias que tendo notícia das más opiniões e obras de Baruch de Spinoza procuraram, por diferentes caminhos e promessas, retirá-lo de seus maus caminhos, e não podendo remediá-lo, antes pelo contrário, tendo cada dia maiores notícias das horrendas heresias que cometia e ensinava, e das monstruosas ações que praticava, tendo disto muitas testemunhas fidedignas que deporão e testemunharão tudo em presença do dito Spinoza, coisas de que ele ficou convencido, o qual tudo examinado em presença dos senhores Hahamim [conselheiros], deliberaram com seu parecer que o dito Spinoza seja heremizado [excluído] e afastado da nação de Israel como de fato o heremizaram com o Herem [anátema] seguinte:

"Com a sentença dos Anjos e dos Santos, com o consentimento do Deus Bendito e com o consentimento de toda esta Congregação, diante destes santos Livros, nós heremizamos, expulsamos, amaldiçoamos e esconjuramos Baruch de Spinoza [...]

Maldito seja de dia e maldito seja de noite, maldito seja em seu deitar, maldito seja em seu levantar, maldito seja em seu sair, e maldito seja em seu entrar [...] E que Adonai [Soberano Senhor] apague o seu nome de sob os céus, e que Adonai o afaste, para sua desgraça, de todas as tribos de Israel, com todas as maldições do firmamento escritas no Livro desta Lei.

E vós, os dedicados a Adonai, que Deus vos conserve todos vivos. Advertindo que ninguém lhe pode falar pela boca nem por escrito nem conceder-lhe nenhum favor, nem debaixo do mesmo teto estar com ele, nem a uma distância de menos de quatro côvados, nem ler Papel algum feito ou escrito por ele."

Baruch Espinoza – Wikipédia, a enciclopédia livre





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