segunda-feira, 28 de dezembro de 2020

 

Por que irmãos não podem ter filhos um com o outro?

Vou me ater a respostas na esfera biológica. Se envolver moral/ética.

Vejamos alguns exemplos históricos:

TUTANKHAMUN

Tutankhamun foi submetido a uma necropsia virtual com mais de 2 mil escâneres computadorizados que apontaram que ele tinha dentes tortos e quadris com formas afeminadas. Os exames ainda apontaram que o antigo rei egípcio sofria de epilepsia do lobo temporal e com a doença de Köhler, um doloroso problema no pé que o deixou manco.

Além disso, análises genéticas mostraram que os pais de Tutankhamun eram irmãos, fato que pode não só ter contribuído para vários dos problemas hereditários que ele apresentava, mas também ter resultado em sua morte prematura. Aliás, ademais de ter sido o produto de um casamento incestuoso, o próprio Tut se casou com sua meio-irmã, Ankhesenamun — ela chegou a engravidar duas vezes, mas perdeu as crianças em ambas as ocasiões.

DINASTIA DOS HABSBURGO

Durante vários séculos, a Casa de Habsburgo, da Áustri, foi a dinastia real dominante na Europa e, além de seus integrantes estarem à frente do trono austríaco por mais de 600 anos, casamentos estratégicos permitiram que seu poder se expandisse para as cortes da Hungria, Boêmia e até para a Espanha.

Com o passar do tempo, em dado momento praticamente não restavam mais nobres e monarcas europeus que não fossem da Casa de Habsburgo — o que deu origem a uma longa lista de casamentos incestuosos. Tanto é que registros históricos apontam que, durante o reinado dessa dinastia na Espanha — que durou 200 anos, entre os séculos 16 e 17 — ocorreram vários casos.

Na verdade, os historiadores suspeitam que foram justamente os casamentos incestuosos que levaram à extinção da linhagem, pelo menos em terras espanholas. Isso porque, no ano de 1700, o Rei Carlos II morreu aos 38 anos sem deixar herdeiros, e muitos acreditam que o monarca era estéril por conta de deformações congênitas resultantes de séculos de prática da endogamia pela Casa de Habsburgo.

PRINCESA NAHIENAENA

Esta é a princesa havaiana que subiu ao poder no século 19, durante um turbulento período de transição da história do Havaí. Na época, os missionários cristãos começaram a ganhar bastante influência no arquipélago, entrando em conflito com os líderes locais, que tentavam se manter fiéis às suas crenças — e Nahienaena, filha do rei Kamehameha com Keopuolani, foi criada pela mãe na fé cristã.

Embora Nahienaena fosse seguidora do cristianismo, os monarcas havaianos encorajavam a união entre os membros da mesma família, e ela acabou se casando com o próprio irmão. O casório enfureceu os cristãos e súditos convertidos do arquipélago, e a pobre princesa foi rejeitada pelo seu povo.

Acontece que Nahienaena amava seu irmão, mas, dividida pela situação, pediu perdão aos missionários e se casou novamente, desta vez com alguém fora da família, com o filho do Rei Kalanimoku, um rapaz chamado Leileiohoku. No entanto, a princesa logo descobriu que estava grávida, e seu irmão anunciou aos quatro ventos que o filho era dele — o que levou o povo a rejeitar Nahienaena novamente.

Depois disso, a princesa havaiana permaneceu reclusa até o nascimento da criança — uma menina que, infelizmente, apenas sobreviveu por algumas horas. Nahienaena, por sua vez, viveu em isolamento com a culpa até morrer, alguns meses depois.

CHARLES DARWIN

Este é mais curioso que chocante e envolve o naturalista britânico Charles Darwin, famoso por propor a teoria da evolução, que foi casado com Emma Wedgwood Darwin, sua prima de primeiro grau. O casal teve dez filhos, dos quais três faleceram ainda pequenos e outros três eram estéreis.

Em se tratando de Darwin, é óbvio que ele mantinha registros superdetalhados a respeito da saúde de sua família — e quando os filhos apresentaram problemas, o naturalista passou a associá-los com suas observações feitas anteriormente em plantas que haviam sido cruzadas entre si.

Foi então que o britânico começou a suspeitar que suas crianças podiam ter herdado doenças devido ao histórico familiar de casamentos entre parentes. Mais tarde, pesquisadores analisaram quatro gerações das famílias Darwin e Wedgwood e descobriram que muitos integrantes de ambos os lados se casaram entre si e, como o próprio naturalista desconfiava, os problemas de saúde de seus filhos eram resultado de sua linhagem genética.

BÁRBARA DALY BAEKELAND

Socialite norte-americana que se tornou famosa na década de 30. Além de aparecer nas páginas de revistas como a Harper’s Bazaar e a Vogue, ela e seu marido, Brooks Baekeland, eram conhecidos por seu estilo de vida decadente, repleto de festas extravagantes, muita bebida e traições.

Barbara também tinha vários problemas mentais — e Brooks acabou se cansando da personalidade explosiva dela e decidiu se divorciar. Antony, o filho do casal, foi viver com a mãe e, assim como ela, era mentalmente instável e, ademais, sofria de ESQUIZOFRENIA.

Só que as coisas começaram a ficar feias de verdade quando Antony completou os 20 anos e Barbara descobriu que ele havia se envolvido com um rapaz chamado Jake Cooper. Na tentativa de “ajudar” o filho, ela teria contratado inúmeras prostitutas para convencer o jovem a fazer sexo com mulheres.

O pior é que, quando sua estratégia não deu resultados, dizem que Barbara decidiu ela mesma resolver a questão, manipulando o filho e convencendo Antony a se relacionar sexualmente com ela. O caso terminou, como você pode imaginar, de maneira trágica, com o rapaz matando a mãe com uma faca de cozinha.

EXPLICANDO, então:

Entre pessoas da mesma família o risco de dois genes recessivos ligados a uma doença grave se encontrarem é grande.

Explica-se: sabiamente, a natureza criou um recurso que faz com que genes problemáticos fiquem guardadinhos em seu cromossomo esperando para, quem sabe um dia, serem extintos. São os genes recessivos, que para virem à tona precisam juntar suas forças a outro idêntico a eles.

Digamos que você tenha um recessivo ligado à fenilcetonúria, uma doença rara que causa retardo mental. Para que um filho seu nasça com problemas, você teria que encontrar um parceiro que também tenha esse gene (menos de 2% de risco). E, mesmo assim, a chance de os dois recessivos se encontrarem seria de apenas 25% (lembra das aulas de genética?). Fazendo as contas, o risco não passa de 0,5%.

Entre parentes, o jogo muda. Considerando o cruzamento genético e o papel do ambiente no desencadeamento de problemas, as chances de um recessivo se manifestar é de 50%. No caso da fenilcetonúria, portanto, o risco é 100 vezes maior que entre desconhecidos.

É claro que, à medida que o grau de parentesco diminui, o sangue vai se misturando e os riscos de surgirem complicações também se diluem.


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