quarta-feira, 7 de abril de 2021

Inglaterra\Trópicos.

 Os homens tratam mal as mulheres.Especialmente nos romances.A relação amor\ódio dos autores masculinos com protagonistas femininos e´frequente,sobretudo no período Literário Vitoriano.Esta e´uma das questões abordadas por Clara Wanderley em "A voz embargada-imagem da mulher em romances Ingleses e Brasileiros do seculo 19\ 20."A mulher como sujeito literariamente construído nos romances -Brasileiros e Ingleses-dos seculos passados.A literatura Vitoriana tem,no momento,sido revisitada com adaptações e filmes;sendo interessante pensar o que Jane Eyre e Catherine Ernshaw -personagens das irmãs Bronte,tem em comum com Helena,de Machado de Assis e Aurélia(A herdeira) de Jose de Alencar.

Uma diferença evidente e´que as primeiras foram criadas por mulheres,as ultimas por homens.O que auxilia a ver o pano de fundo dos Romances,relações de poder,classe e gênero em uma sociedade -Inglesa-os resquícios patriarcais somados aos interesses da industria capitalista procuram justificar a submissão feminina.Enquanto no Brasil,a mulher esta situada num contexto social escravagista e agrícola.As autoras Vitorianas,alem de terem sua própria voz,questionaram os limites que lhes eram impostos,repercutindo as ansiedades de seu tempo.Embora os livros gravitem em torno de frivolidades-casamentos por acontecer ou frustrados-o centro dos romances e´:paixão,violência do desejo,frustração sexual.Sem espaço para romper os limites do próprio sexo,as mulheres Brasileiras do seculo XIX,tem a voz embargada.Não são sujeitos da própria historia,mas objetos do discurso masculino,dominante.Breve paralelo:Jane Eyre de Charlotte Bronte e Helena de Machado de Assis;ambas são pobres,órfãs,despertam amor nos homens que as acolhem,no entanto,enquanto Jane busca romper para a liberdade ,a suicida Helena sufoca ante o inexorável em torno,tendo Machado consciência social da hierarquia Brasileira.Na Inglaterra,as mulheres já se beneficiavam de relações livres de trabalho,ocupando funções de professoras ou governantas.No Brasil,de então,temos um universo dividido entre duas classes,apenas:Senhores e escravos.Em 1850 contavam-se cerca de 21 mil mulheres solteiras dedicadas as referidas atividades,enquanto aqui,as mulheres observavam regras de conduta mais rígidas que as vitorianas.Não havia escritoras,proibidas de ir a rua,fechadas em casa,sem educação básica ou incentivo literário,ocupavam-se de assuntos domésticos,confiando a escravos o cuidado dos filhos e da casa.Vida estreita e confinada.Na sociedade escravagista,s mulheres brancas tinham uma função:gerar descendência legitima aos donos da terra.Assim,o Brasil era mais medieval que vitoriano.Não havia mobilidade social,como na sociedade Vitoriana,mesmo com o pudor e repressão sexual desta.O seculo XIX marca o inicio do  fim dos casamentos arranjados,com fins econômicos,mas mesmo quando aconteciam não se esperava um laço de amor infinito;como a retorica romântica de Jane Austen propunha.Propondo a questão:amor eterno? Nada dura para sempre.

M.

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