quinta-feira, 17 de junho de 2021

Ao idioma Alemão.

 .Meu destino e´a língua castelhana,

O bronze de Francisco de Quevedo,

Porem na lenta noite caminhada

Me exaltam outras musicas mais intimas.

Alguma foi-me dada pelo sangue---

O´voz de Shakespeare e da Escritura----,

Outras pelo acaso ,que e´generoso,

Mas a ti,doce língua da Alemanha,

Te elegi e te busquei solitário.

Através de vigílias e gramaticas,

Do labirinto das declinações,

Do dicionario que não chega nunca

Ao matiz preciso,fui-me acercando.

Minhas noites são cheias de Virgílio,

Disse uma vez;também posso ter dito

De Holderlin,de Angelus Silesius.

Heine me deu seus altos rouxinóis;

Goethe,a sorte de um amor tardio,

Tão indulgente quanto mercenário;

Keller,a rosa que outra mão coloca

Sobre a mão de um morto que a amava

E nunca saberá se e´branca ou purpura.

Tu,língua da Alemanha ,es tua obra

Capital:o amor entrelaçado

Das palavras compostas ,as vogais

Abertas,a musica que permite 

O estudioso hexâmetro do Grego

e teu rumor de selvas e de noites.

Antes te possui´.Hoje,a margem

Dos anos fatigados te diviso

Distante como a álgebra e a lua.

Jorge Luis Borges.





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