sexta-feira, 24 de dezembro de 2021

Para ser caluniado.

 .Internato.

Uma quinze anos,dezesseis a outra,

Dormiam as duas no mesmo quarto.

Numa noite abafada de setembro:

Frágeis,olhos azuis,rubor de frutas.


Para ficar a gosto as duas tiram 

As finas camisolas perfumadas.

A mais moça abre os braços e se arqueia

E a beija a irmã ,com as mãos nos seus seios,


Depois cai de joelhos,fica atrevida

E tumultuosa e doida e sua boca

Afunda no ouro claro,em meio as sombras;


Mas a menina ,nos dedos mimosos 

vai recontando as valsas prometidas

E,corada,Sorri com inocência.


Costas.

A noite vi duas mulheres das mais finas.

A cena era num baile ,as coisas que se sonha!

Uma das duas era magra,loura,um olho azul,

Um negro,e o olhar desiludido que nos fixa.


A outra morena,olhar matreiro enganador ,

Seios alegremente oferecidos,dignos

De algum semideus!As duas mulheres tinham,

Ocultos pelo farfalhar de seus vestidos,


Torsos belíssimos,doidos de excitação

Aos quais ,se falassem,mais nada faltaria:

Retaguarda regia nas lutas do prazer.


E essas senhoras da mais alta sociedade

Tentavam empenhar o elã de meu desejo,

Sem poder compreender a minha indiferença.


Verlaine.






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