quinta-feira, 4 de abril de 2013

A PERSUASÃO EM MACHADO DE ASSIS

                                                                                        “Quem deseja ter razão, a terá com
                                                                                              o mero fato de possuir língua.”
                                                                                                                 Goethe.







I – INTRODUÇÃO:

As transformações do mundo ocidental e suas conseqüências no  Século  XIX , não passaram despercebidas pelos olhos críticos de diversos autores , entre eles : Machado de Assis.

Através de um sorriso Sarcástico (Humor ) ,devassou as mazelas e duvidas dos tempos modernos, com sua pena mordaz, PERSUADIU-NOS de uma falência de valores humanos e culturais , e dos enigmas da existência. O Pessimismo Machadiano, Anglo-Saxão, é construído por percepções agudas , sensível à pequenez humana e à precariedade do Sujeito, heranças inalienáveis da Humanidade , e objeto de reflexões cotidianas do autor.

Machado, como um ESTOICO,    Conselheiro Aires ? , abraça o fardo humano  : do egoísmo, da vaidade,e da indiferença; com as ilusões perdidas, ele encontra uma forma Ficcional de desnudamento das  pessoas  : O DISTANCIAMENTO.

Deixando o IDEAL (Romantismo) em favor  do REAL  ( Naturalismo/Realismo), o autor tem como divisor de águas : “Memórias Póstumas De Brás Cubas.” -1881. , no qual, o DEFUNTO-AUTOR ( BRAS- MACHADO ) , assume o foco narrativo , mostrando com Cinismo;fraquezas e contradições  humanas.

II - PERSUASÃO :

Antecipando Pirandello e Proust , Machado aponta para a Psique Humana, as forças do INCONSCIENTE e as relações sociais. Sua argumentação aborda, por exemplo : O triangulo amoroso, sem o  “PATHOS” Romântico, mas com a presença do Poder, da Sedução, do Dinheiro  e da LIBIDO que , a rigor, regem os homens.

Usando a  AMBIGUIDADE  para nos persuadir e alertar , com seu olhar oblíquo e peculiar,Machado nos conduz pelo Labirinto da realidade e do cotidiano. Seu pessimismo,relativismo e IRONIA , constroem uma prosa desmistificante, desconstrutora, carregada de uma atmosfera de sugestões.

PERSUASÃO, do Latim, “ Persuasone” , significa ato ou efeito de persuadir ,convencer,levar a crer ou aceitar,induzir e sugerir , o que originara em Latim o termo “Persuadere” ,Persuadir.

III - DAS ORIGENS:

ARISTÓTELES, na “ARTE RETÓRICA,  definiu a Retórica  como a Persuasão por meio da Argumentação  , ou seja, Arte de Argumentar : “A Capacidade de ver em  cada caso , o que pode ser capaz de gerar Persuasão.”

Premissas da Retórica :

1 - Argumentação exercendo persuasão,convencimento,por meio do Discurso ( bem falar...bem  escrever...,uso esmerado da norma-culta padrão...provocar o raciocínio...) :

EX. : “ ... A escravidão levou consigo ofícios e aparelhos , como terá sucedido a outras instituições sociais.”   ( PAI VERSUS MÃE.)

2 -  Busca a adesão e não a veracidade da tese apresentada :

EX.: Em DOM CASMURRO, a possível infidelidade de CAPITU, interessa menos que a discussão sobre Adultério,naquele contexto.

3 - Usa a linguagem COTIDIANA, pois se destina a todo tipo de Publico:

EX.: “...Conceição padecera , a principio , com a existência da Comborça; mas , afinal, resignara-se...``    ( MISSA DO GALO. )

4 - Tem a intenção de mudar a convicção e as atitudes do Publico :

EX.: “... Mas, o livro é enfadonho, cheira a sepulcro,traz certa contração cadavérica ; vicio grave , e alias,ínfimo , porque o maior defeito deste livro  és tu,  leitor.Tu tens pressa de envelhecer e o livro anda devagar ; tu amas a narração direita e nutrida , o estilo regular e fluente , e este livro, e o meu estilo são como os ébrios ,guinam à direita e à esquerda, andam e param ,resmungam,urram,gargalham,ameaçam o céu,escorregam e caem...”
( Memória Póstumas de Brás Cubas.)

IV - BASES DA PERSUASÃO:


Segundo ARISTÓTELES, os fundamentos da Persuasão são os seguintes :


1 - ETHOS.  Argumentos do Orador /Narrador, concede sua credibilidade ao publico/leitor;

2 - PATHOS. Argumentos que envolvem os  sentimentos e  emoções do publico/leitor, Figuras De Linguagem;

3 - LOGOS.Argumentos baseados na Razão

.


V- EXEMPLOS DE TEXTOS LITERÁRIOS :
   
CONTOS:

1 - Missa do Galo ( 1889) :

O clima  erótico  sugerido entre D. Conceição  e o jovem Nogueira atravessa a narrativa, como que para convencer o leitor da nevoa de sedução do texto :

“... Nunca pude entender a conversação que tive com uma senhora, há muitos anos , contava eu dezessete,ela trinta.”   ( Ambiguidade).


2 - Pai X Mãe (1906)  :

Denuncia contra discriminação racial demonstrada pelo caráter desigual do tratamento  dado às diferentes  etnias :

“...Nem todas as crianças vingam,bateu-lhe o coração.”  (Ironia Romântica)—Desconstrução, Manipulação.

3 - A sereníssima republica ( 1882) :

Alegoria Política que busca   nos convencer,das marchas e contra-marchas do processo eleitoral Brasileiro :

“... Meus senhores ! Antes de comunicar-vos uma descoberta ,que reputo de algum lustre para o nosso pais, acudistes ao meu chamado...” ( Tradução De La Mancha.)---Parodia.

                 

Referencias Bibliográficas :

Aristóteles -“Arte Retórica. Rio de Janeiro : Ediouro ,1986.
Assis ,Machado de .” Obra Completa”. Rio de Janeiro: Aguilar,1992.
Freud,S.  “Obras completas”.Rio de Janeiro :Imago,1980.
Scarpelli,M.”Machado de Assis,entre a tradição e a modernidade” Belo Horizonte :Ufmg,2003.


Autor : Marco Antonio E, Da Costa.






sexta-feira, 22 de março de 2013

Concretude.


                

                                                                            A  Foucault
  Na miséria reside
                                   a  autenticidade
Nos pés descalços,
                                    a verdade
A essência habita
                                     a fome
Os loucos, ao menos,
                                       Sinceros.

O delírio é um direito
                                   Que nenhum partido defende
A lógica das coisas
                                   é tão absurda
Que  é chamada  Surrealismo.

Autor : Marco Antonio E. Da Costa.

Quosque Tandem.


                                             

 A terra jorra o
           negro e fecundo leite;
Os olhos humanos
           derramam lagrimas
           do próprio sangue.
A esperança   jaz  em
              Tumulo mudo
Como nossos corações ;
              O arbítrio passeia , brejeiro,
pelos  jardins  da  miséria.
               E nos contentamos
Com notas perdidas.

Autor : Marco Antonio E. da Costa.

Agonia Boêmia.



                                                                                        A castro Alves

                        Desejo  a
                                    Serenidade silenciosa
                                     de um lago, 
                                     o ato   pacifico
                                     de um beijo.

                       Queimando versos
                                        aprendi   a  escrever,
                        Consumindo   palavras
                                       entendi   o  silencio.

                        O que torna os
                                      homens  diferentes
                       são as idéias e atos,
                                        o que os iguala,
                        as  paixões.

Autor : Marco Antônio E. Da Costa

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Antonio Machado, poeta Espanhol.


                                                                        “Estos  dias azules  y  este sol de infância.”
                                                                                                                    Antonio Machado.
Autor : Marco Antonio E. Da Costa.

Antonio Cipriano José Maria y Francisco de Santa Ana Machado y Ruiz , ou apenas, Antonio Machado.  ( *26/7/1879  + 22/2/1939); poeta Sevilhano da´´ geração de 1898´´; tom de Realismo Social, Modernismo. Influenciado pelo simbolismo Frances ( sobretudo Verlaine), foi um dos expoentes da Literatura Espanhola de então, junto com Federico Garcia Lorca, a quem admirava.Durante a guerra civil Espanhola (1936-1939) e com o avanço franquista ,exilou-se na França em 1938. Morreu no ano seguinte.
Poema   XXXIX .
Caminante  son  tus  Huellas
El camino,  y nada màs;
Caminante, no hay camino,
Se hace  camino  al andar.
Al  andar se  hace camino,
Y   al  volver  la vista atrás
Se  ve  la senda que nunca
Se há de volver a pisar.
Caminante , no hay camino,
Sino  estelas  em La mar.
Proverbios Y Cantares in `` Campos   de Castilla. `` 1912.

Tradução :

Caminhante,  são tuas pegadas
O caminho, e nada mais;
Caminhante, não há ´caminho,
Se faz o caminho ao andar.
Ao andar se faz o caminho,
E  ao se olhar para trás
Se  vê a  senda que nunca
Se  tornará a pisar.
Caminhante não  há caminho,
Somente esteiras de barcos no mar.

Tradução : Marco Antonio E. Da Costa.
Comentário : O poeta nos alerta que não importa o  ponto de partida ou de chegada ; mas, a CAMINHADA , ela própria a jornada ,que se faz vida e estrada.

Obs: Esteiras = piso de barco



VITRÌOLO


                                                                       “ Uma verdade dita com má intenção,
                                                                      derrota todas as mentiras possíveis.” -     William
                                                                                                                                      Blake  

                                                                                                                   .
Autor : Marco Antonio E. Da Costa.

Lentas e sutis as garras das trevas
Cravam seu estigma no corpo
Percorrem pensamentos
Fluem pelo sangue
Qual  víbora silente
Com  seu olhar vítreo
Lìvida  se aproxima
Repleta  de  intrigas
Como a corte de Nero
Pérfida , a assassina
Destila seu veneno e
Em bífido êxtase observa
A vitima agonizante, que não morre
Apenas,sofre...

MINEIRICES.


                                                              Conforme tradição oral,colhida em Ouro Preto.

                                                              “O mar é  profundo,tanto na calmaria,
                                                                   quanto na tempestade.”    John Doone.

Autor : Marco Antonio E. Da Costa.

Dizem que Mineiro não dá nem receita de pão de queijo, sem fazer política.
E costuma ser  “mineiramente”, lacônica; mas visceral...
Reza antiga prosa , que em uma determinada cidade do interior Mineiro, cravejada de rivalidades políticas, um burro morreu. E o infeliz animal morreu em frente á Igreja  principal da cidade.Decorrida uma semana, o corpo apodrecido da azemola ainda estava lá.
O Padre,da corrente oposta à do prefeito ,resolveu reclamar com o “arqui-inimigo”.
-“Sr. Prefeito tem um burro MORTO na frente da Igreja,há uma semana !
É preciso que seja retirado, o mau-cheiro começa a afastar os fieis, alem do que , diante da casa de Deus não convém que fiquem restos mortais...
Espero que o senhor tome as providencias cabíveis.”
O Prefeito- adversário político de longa data - olhou irônico e disse :
- ”Sr. Padre, o senhor sabe o que ocasionou a morte da pobre besta?”
Ao que o Padre –desconfiado-retrucou :
-`”Não vejo a relevância deste aspecto.”
-“Mas  é importante sim, pois se o causador foi um membro da sua congregação,
   A responsabilidade é toda da igreja.”
_`` Devo lembrar à vossa excelência , que os fieis antes de tudo são CIDADAOS,portanto a responsabilidade é do  Município , disse o astuto padre.
  E o prefeito provocativo: 
-“Mas não é o Senhor que tem a OBRIGAÇÂO de cuidar dos Mortos ? “
Com serena superioridade respondeu o padre:
-“Sim ! Mas também é minha OBRIGAÇAO Avisar os Parentes !”
Conta a tradição que a carcaça desapareceu e a rivalidade se acirrou...