domingo, 13 de março de 2022

Balada de Vinicius.

 

BALADA DAS MENINAS DE BICICLETA

Rio de Janeiro , 1946

Meninas de bicicleta 
Que fagueiras pedalais 
Quero ser vosso poeta! 
Ó transitórias estátuas 
Esfuziantes de azul 
Louras com peles mulatas 
Princesas da zona sul: 
As vossas jovens figuras 
Retesadas nos selins 
Me prendem, com serem puras 
Em redondilhas afins. 
Que lindas são vossas quilhas 
Quando as praias abordais! 
E as nervosas panturrilhas 
Na rotação dos pedais: 
Que douradas maravilhas! 
Bicicletai, meninada 
Aos ventos do Arpoador 
Solta a flâmula agitada 
Das cabeleiras em flor 
Uma correndo à gandaia 
Outra com jeito de séria 
Mostrando as pernas sem saia 
Feitas da mesma matéria. 
Permanecei! vós que sois 
O que o mundo não tem mais 
Juventude de maiôs 
Sobre máquinas da paz 
Enxames de namoradas 
Ao sol de Copacabana 
Centauresas transpiradas 
Que o leque do mar abana! 
A vós o canto que inflama 
Os meus trint'anos, meninas 
Velozes massas em chama 
Explodindo em vitaminas. 
Bem haja a vossa saúde 
À humanidade inquieta 
Vós cuja ardente virtude 
Preservais muito amiúde 
Com um selim de bicicleta 
Vós que levais tantas raças 
Nos corpos firmes e crus: 
Meninas, soltai as alças 
Bicicletai seios nus! 
No vosso rastro persiste 
O mesmo eterno poeta 
Um poeta - essa coisa triste 
Escravizada à beleza 
Que em vosso rastro persiste, 
Levando a sua tristeza 
No quadro da bicicleta.

Juno\Hera.

 

Como Juno se tornou a rainha do Céu na Mitologia Grega?

Na mitologia Juno é irmã e esposa de Júpiter, deus do trovão. Em Roma a deusa era conhecida como Hera. Era considerada a Rainha dos Deuses na mitologia Romana. Ela também era deusa do matrimônio e da união, da monogamia e da fidelidade.

(Estátua da deusa)

Passo a citar:

«JUNO, A RAINHA DO CÉU

— Sim, agora minha pequena Juno está a salvo... Mas até quando? Assim dizia Cibele, após ver resgatada, do ventre de seu cruel esposo Saturno, a sua filha querida. O velho deus havia engolido um a um os seus filhos, tão logo estes haviam nascido; Júpiter, porém, lhe ministrara uma bebida encantada, obrigando-o a regurgitá-los de volta para os braços da mãe. Cibele, a precavida, imaginava agora um meio de manter a salvo a sua filha dileta.

"Tenho um pressentimento de que a ela está destinado um lugar de honra na corte celestial!", pensava a deusa, acariciando os cabelos de Juno.

Imaginava Cibele, como todas as mães, divinas ou não, que sua filha excederia em beleza e poder todas as outras filhas da face da Terra ou da imensidão do céu.

De repente seus olhos avistaram, para o ocidente, um fulgor intenso.

— É isto! — exclamou Cibele, feliz. — Levarei-a para o país das Hespérides! Hespérides eram três encantadoras deusas que governavam um país paradisíaco, onde a primavera era eterna e a necessidade não existia.

— Queridas amigas, preciso entregar a minha bela Juno aos seus cuidados, pois somente aqui ela estará em segurança.

Abriram um largo sorriso, enquanto uma delas envolvia a deusa em suas vestes esvoaçantes.

— Vá em paz, Cibele — disse esta. — Nós faremos da sua filha a mais poderosa das deusas.

Juno respondeu apontando o dedo para o céu.

O tempo passou e Juno tornou-se uma deusa de maravilhosa beleza. As Hespérides eram unânimes em reconhecer este seu atributo, que fazia par com o da perfeita sapiência.

— Vejam: os animais e mesmo as flores parecem ficar felizes tão logo sua presença se anuncia — diziam alegremente as irmãs, todos os dias, umas às outras.

Juno, contudo, apesar de estar satisfeita naquele lugar paradisíaco, ambicionava mais alto.

Com olhos postos no céu, suspirava todos os dias:

— Tudo é belo... mas eu queria mesmo era ser rainha do céu.

Por uma natural inclinação, a moça procurava sempre os lugares mais altos da ilha para dar largas à sua imaginação. Havia um rochedo, à beira-mar, que era o seu refúgio especial.

— Mais um passinho e posso quase tocar o céu... — dizia ela, brincando e esticando seu alvo dedo.

Um dia, estando ali sentada, sentiu muito calor. Então avistou no horizonte uma nuvem que vagava meio sem jeito, como que perdida das outras.

— Adoro chuva! — pensou, esticando o pescoço na ânsia de ver as companheiras daquela comparsa extraviada. — O único defeito deste país encantador, se há algum, é o de chover tão pouco!

Então pôs-se em pé, cerziu os olhos e começou a pensar com toda a força:

— Quero muito que chova! Que chova muito! E o que quero!

Juno reabriu os olhos e viu que agora aquela nuvem mal-esboçada e solitária, lá adiante, havia ganho uma inesperada e rechonchuda companheira. A jovem fechou os olhos outra vez e repetiu com toda a força:

— Quero muito que chova! Que chova muito! É o que quero!

Quando reabriu outra vez os seus olhos, viu que um exército de outras nuvens havia se juntado à primeira, engolfando-a num turbilhão escuro e barulhento. Juno colocou-se na ponta dos pés e aspirou profundamente.

— Hmmm.... Perfume de chuva, não há outro igual.

Num instante as nuvens chegaram, e a jovem deusa comandou do alto ma tremenda tempestade, como nunca as Hespérides haviam visto. Os raios miam ao redor da jovem os seus espadins recurvos, porém sem nunca atingi-la, enquanto a água da chuva a envolvia num frescor delicioso.

Depois que a chuva passou e um vento fresco secou suas roupas, afastando-o para longe as nuvens tempestuosas, Juno olhou para o céu, novamente azul.

— Tudo é belo... Mas eu queria mesmo era ser rainha do céu.

Neste instante uma águia de asas imensas surgiu das alturas. A ave, após rodopiar ao redor da deusa, agarrou-a delicadamente e suspendeu-a no ar. Juno, embora surpresa, não se assustou; algo lhe dizia, secretamente, que o seu sonho começava a se concretizar.

— Para onde me leva, águia subtil?

Foram ambas subindo, a águia e a deusa, até que, adentrando o próprio céu. Juno viu-se diante do jovem Júpiter.

— Estou no céu! — gritou Juno, de olhos brilhantes.

O pai dos deuses explicou então a Juno tudo o que havia ocorrido e como ele a havia salvo do ventre do tirânico pai de ambos, Saturno.

Juno, agradecida, abraçou os joelhos de Júpiter. Depois disse a ele, radiante de esperança:

— Tudo o que você diz é belo... Mas eu queria mesmo...

O pudor, entretanto ,impediu-a de repetir pela milésima vez o seu desejo.

— Sim, adorada Juno, você será, sem dúvida, rainha do céu — completou Júpiter, sorridente, que escutara diversas vezes, ali do alto, a jovem clamar por seu desejo. — Desde que a vi manejando a tempestade e orquestrando os raios, decidi que seria a esposa ideal para mim.

E foi assim que Juno casou-se, tornando-se Rainha do Céu e dando início à história do casal mais famoso da mitologia antiga.»

De A. S. Franchini e Carmen Seganfredo, “AS 100 MELHORES HISTÓRIAS DA MITOLOGIA, Deuses, heróis, monstros e guerras da tradição greco-romana”


"Jogar a toalha."

 

Como uma expressão curiosa acabou surgindo?

Acredite ou não"Jogue a toalha" apesar de ser geralmente associado ao mundo do boxe, sua origem não vem do esporte, poucos sabem ao contrário que a frase tem uma origem mais antiga e menos agressiva, curiosamente relacionada ao mundo das águas termais romanas.

Na Roma antiga, os banhos não eram apenas um lugar para se banhar, eram também um local de encontro, encontros, discussões políticas e prazeres luxuosos. Estabeleceu-se como uma espécie de escambo, os jovens iam aos banhos em busca de dinheiro e os homens de meia-idade procuravam favores.

Depois que um desses jovens recebia uma proposta, ele ficava na frente de seu pretendente e dava um segundo nó na toalha para indicar que não havia aceitado ou a largava para indicar que havia aceitado, geralmente seguido de aplausos. nasceu um novo relacionamento.

Desta forma, este deixar cair ou jogar a toalha começou a ser visto pouco a pouco como um gesto de submissão, de entrega ao conquistador, pelo que acabou por se adaptar também ao mundo do boxe, através do qual chegou aos nossos dias.

Foto de perfil de Marco Antonio Costa

Tacitus.

 

Por que não há registros romanos da crucificação de Jesus?

Sim, há pelo historiador romano Tacitus.

Cornelius Tacitus era membro da aristocracia senatorial romana. Nascido por volta de 55, foi contemporâneo mais jovem de Flávio Josefo. São de sua autoria duas famosas obras: as Histórias (c. 105/110) e os Anais (c. 116/117).

Tacitus tinha repulsa tanto pelos judeus como pelos cristãos. Duas frases escritas por ele mostram isso: “com relação a qualquer outro povo [os judeus] sentem apenas ódio e inimizade” (Histórias 5.5.1); “[os cristãos são] uma classe de homens detestados por seus maus hábitos” (Anais 15.44). No intuito de explicar a origem do movimento cristão, ele fala da crucificação de Jesus:

Este nome (christiani) vem de Cristo, que foi executado sob Tibério pelo procurador Pôncio Pilatus (Anais, 15,44,3).

Plutarco-Cleo.

 

O que Plutarco pensava de Cleópatra?

Plutarco via Cleópatra da mesma maneira que essencialmente todos os romanos, exceto Júlio César e Antônio; se você está se perguntando, não foi em um bom caminho.

O ódio do povo romano por Cleópatra era no mínimo eterno. Ela era vista como pouco mais do que uma mestre manipuladora que só servia ao seu próprio interesse e certamente não ao interesse do romano comum.

Embora o próprio Plutarco fosse da Grécia, mas se tornaria um cidadão romano mais tarde. Devido à sua mudança de cidadania, muito de sua visão de Cleópatra foi tendenciosa e baseada nas visões de outras pessoas romanas. Ele também viu a icônica e lendária governante egípcia como nada mais do que uma sedutora que arruinaria Antônio.


Poincaré.

 

Qual paradoxo tem o poder de surpreender qualquer um?

O paradoxo que me surpreendeu recentemente é o da duplicação de Henri Poincaré, eis como se traduz:

Imagine que tudo no Universo (e o próprio Universo) de repente dobrou de tamanho. Absolutamente tudo, incluindo seres vivos, planetas, o mundo microscópico... aumenta em 2 seu tamanho, seu comprimento, sua largura, sua altura, sua profundidade... uma esfera…).

Como você saberia?

A resposta: seria impossível saber...

Sim, levamos um medidor para nos medir? O metro padrão também dobrou, então nosso tamanho de acordo com esta unidade de medida é o mesmo. E então, como você pode suspeitar que algo mudou quando tudo ao nosso redor se parece exatamente com o que vimos no dia anterior?

A verdade é que poderia acontecer mas seria impossível adivinhar, talvez tudo tenha duplicado desde ontem mas não sabemos 🤔. Além disso, funciona exatamente da mesma forma na outra direção, se absolutamente tudo diminui ao mesmo tempo, impossível detectá-lo.

Eu não sei o que Poincaré estava pensando quando descobriu isso, mas a priori isso o manteve um pouco ocupado porque ele entrou em cálculos de matemática e física para tentar encontrar um método de detecção. No final, ele chegou à conclusão acima…

Estatuas Clássicas.

 

As estátuas de mármore eram coloridas?

As estátuas de mármore antigas? Sim. As cores foram desaparecendo ao longo do tempo, embora tenham sobrevivido vestígios que permitem aos cientistas recriar as cores originais.

Por exemplo, as Cariátides no Erecteion[1] da Acrópole em Atenas t como os devem ter sido como as da esquerda.

No entanto, durante a cristandade medieval, quando a escultura de deuses e heróis declinou, e as técnicas de arte antiga se perderam, os artistas que redescobriram as estátuas gregas e romanas antigas começaram a imitá-las com o equívoco de que as estátuas de mármore não tinham cor. Então, muitas estátuas renascentistas que podem ser vistas nos museus nunca foram pintadas.

O Davi de Michelangelo[2], por exemplo, nunca foi pintado. O escultor era também um pintor famoso, então poderia tê-lo pintado e as cores provavelmente sobreviveriam aos poucos séculos de sua existência principalmente num ambiente interno, mas ele não fez isso.

Notas de rodapé