terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

O Sonho do Sultão.

                                                 O Sonho  do Sultão.´

                                                                           “A verdade e´dura como o diamante e
                                                                             delicada como a flor do pessegueiro.”

                                                                                       Mahatma Gandhi (1869-1948).
                                                                                          Ativista e Pacifista Indiano.





Certa vez, um sultão egípcio sonhou que havia perdido todos os dentes. Ele acordou assustado, gritando e mandou chamar um sábio da corte, para interpretar seu sonho.
-“Que desgraça, Senhor! Cada dente perdido representa a morte de um membro da família de Vossa Majestade.”-afirmou o sábio.
-“ O Que ? Cão insolente ! como se atreve a dizer tal coisa.”
.O Emir, irado, chamou a guarda do palácio e ordenou que lhe dessem CEM CHIBATADAS.
.Em seguida, ordenou que trouxessem outro sábio para interpretar o mesmo sonho.
.”O segundo sábio disse:” Mestre, uma grande felicidade vos aguarda. “Vosso sonho mostra que vós vivereis mais que todos vossos parentes.”
.O Rosto do Sultão brilhou e, satisfeito, ele ordenou que fosse dado ao sábio a quantia de CEM MOEDAS DE OURO.
.Quando o sábio deixava o palácio, o Vizir (primeiro-ministro), atônito, aproximou-se e perguntou-lhe. ”Como e´possível ? Sua interpretação foi a mesma que a de seu colega, no entanto,ele foi chicoteado e você recebeu ouro ! “
. “Lembre-se meu caro - tudo depende de como você diz as coisas”, respondeu o velho sábio. “Este e´o grande desafio da humanidade;felicidade ou tragédia,paz ou guerra daí advém tudo.”
.” A verdade sempre deve ser dita,sempre,não resta duvida,mas a forma como ela e´dita faz toda a diferença.”” A verdade e´como uma pedra preciosa : se a jogarmos no rosto de alguém podemos feri-lo,provocando revolta.Por outro lado,se a envolvermos em uma embalagem delicada e a oferecermos com ternura,certamente ela será aceita .”

                                   
                                                        ALLAH ABENÇOE A TODOS.
. Conto Árabe.


.Autor: Marco Antonio E. Da Costa.

                                   





quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Arquíloco.

                                                   ARQUÌLOCO.

                                                                    “ Amanha há de amar ,quem nunca houver amado,
                                                                      E, quem já houver amado, amanha há de amar!”
                                                                        Caius Valerius Catullus.84 AC-54 AC.,Poeta Romano.





.Arquíloco de Paros, poeta Grego do Século VII AC. viveu, provavelmente entre 685 e 640 AC. Era da origem nobre, reza a tradição que foi rejeitado por uma moça ,Neoboule e seu pai; vingou-se a tal ponto com suas sátiras, que os dois se mataram...
Folclore a parte, foi guerreiro, conheceu a  Magna Gracia (Itália) ,tendo lutado pelos Espartanos. Teria morrido em combate, na sua terra natal, contra Naxos.De seus poemas,restam fragmentos,de cânone Alexandrino, compôs elegias e hinos, mas foi criador do poema iãmbico. Iambo ou Jambo, unidade métrica do poema, formada por uma sílaba tônica e uma átona, utilizada nos versos decassílabos, Heróicos ou Saficos e Dodecassílabos Alexandrinos. Influenciou autores contemporâneos como: Elliot, Byron e Baudelaire.


Poemas.

.Com a Lança.

Com a lança eu alcanço
Meu pão de cevada
Com a lança eu consigo
O meu vinho ismárico
Na lança apoiado
Eu bebo esse vinho.

Comentário..Ìsmara,cidade Tracia,conhecida pela qualidade do vinho.Ja citado em Homero.A lança e´a extensão do braço do guerreiro, mesmo em momentos de paz.


.Sombras.
Com um ramo de mirto
E uma bela rosa
Ela brincava;
E os cabelos
Caiam-Lhe pelos ombros
E pelas costas
Como sombras...

Comentário. O poeta vê os cabelos de sua Hetaira como um lenço, uma cobertura natural, bela e espontânea.


.A Grande Arte.
Eu possuo uma grande Arte:
Eu firo
Duramente
Aqueles que me ferem.

Comentário. Atitude característica de um guerreiro.



. A  Glauco.

Glauco, filho de léptines,
O coração dos homens tem a cor
Dos dias que Zeus traz,
Seu pensamento, a das ações a que se entregam.

Comentário. Singular combinação do fatalismo grego;
Predeterminação divinal e livre-arbítrio; os homens estão sujeitos aos deuses, mas, seu pensamento varia conforme o que fazem.

.Referencia Bibliográfica:
.Poesia Grega e Latina. Ed, Cultrix,São Paulo,1964.

Autor: Marco Antonio E. Da Costa.












terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Toledo.

                                      TOLEDO. 

                                                          “Nada e´supérfluo na natureza.”
                                                                 Ibn Rushd (Averroes), Polimata Mouro  (1126-1198).







.A conquista da península ibérica (Portugal e Espanha) pelos Mouros; do Latim Mauri=morenos; começou em 711 AD,estes muçulmanos do norte da áfrica(Marrocos),eram Berberes governados por Árabes Omíadas. Esmagaram os visigodos,governantes de então.Seguiram-se: o Califado de Córdoba(797-1035),com inúmeras revoltas cristãs; A Taifa (pequeno reino) de Toledo; o governo de Alfonso VI de Castela; as Guerras civis castelhanas e por fim a unificação Espanhola.Toledo foi a primeira capital da Espanha cristã,mas em 1561,o rei Filipe II transferiu a capital para Madrid,entrando a cidade em declínio.Os Mouros a chamavam Tulayoula.

.Nossa narrativa transcorre durante o califado de Córdoba, quando a cidade conheceu algum esplendor e muitas rebeliões. Os Cristãos não aceitavam o domínio estrangeiro, embora, os Muçulmanos fossem tolerantes com outras religiões e etnias. Como eram freqüentes as revoltas e muitas vezes, armadas; os nobres da cidade resolveram utilizar guerreiros experientes; nobres Mouros vindos da África e da Ásia. Entre eles, um chamado Sid Said.
Sid e´um título que se confere a um guerreiro valoroso, uma maneira de dizer senhor.Esse Sid era conhecido por : ferocidade em combate, cicatrizes pelo corpo,rir pouco, não beber com outros nobres,estar sempre acompanhado por seu cão  e toda folga que tinha era visto lendo O Alcorão, absorvendo as palavras do Profeta,Bênçãos sobre ele.Era ,em uma palavra, uma sombra impenetrável.Lacônico ,piedoso e reservado;tinha o respeito de seus comandados.
Com este perfil misterioso, logo surgiram lendas; diziam que era assim por causa de uma mulher que amara, mas ela pertencia ao califa, outros garantiam que fora Sufi e fizera voto de castidade e as estórias proliferavam.
Indiferente aos boatos, mantinha sua rotina militar e seu tom taciturno.
Certa noite, próximo a sua unidade de treinamento ouviu um alarido enorme. Sem saber o que era aproximou-se para averiguar. Surpreso, descobriu que era um grupo de ciganos que fizera acampamento ali perto. Colocaram as carroças em semi-circulo, acenderam uma fogueira, começaram a cantar e dançar. as mulheres eram belas e com roupas vistosas,cabelos longos e soltos,muitos adereços, dançavam e cantavam;os homens cantavam,batiam palmas e tocavam violino.Ficou observando a cena,curioso.Súbito ,alguns nobres mouros interromperam  a festividade, dizendo que eles ( os ciganos) eram páreas, e precisavam era trabalhar , que se fossem dali...Sid e outros nobres intervieram,não estavam fazendo nada demais;
“Não e´crime se divertir!” pontificou Sid.Os queixosos não ousaram retrucar e se retiraram.
Os ciganos contentes continuaram seus festejos, tendo inclusive convidado os nobres para participar. As atividades previstas para o dia seguinte ,no entanto, não o permitiam. Antes de sair, o Mouro notou uma cigana, era morena cabelos longos e negros como a noite, olhos grandes e negros, pés descalços. Brincos, pulseiras, colares, um olhar vivo e inquietante.
O que se seguiu foi o já esperado confronto, tendo o lado Mouro saído com a vitoria.
Ao passo que no adversário, o ódio só aumentava. Mesmo quando se busca ideais de paz, acaba se escrevendo a Historia com sangue. Apos a batalha, o mouro foi descansar em sua vila,quando um funcionário o avisou,entusiasmado, que se aproximava um grupo de ciganos.
Eram aqueles que ele conhecera, Sid recomendou ao criado que os convidasse a sua vila e providenciasse vinho, queijo e frutas. Os ciganos aceitaram de bom grado o convite, na pessoa de seu líder Vladimir. E logo começaram a cantar e dançar, a cigana morena se aproximou e conversaram. Ela se chamava Sara, nome da Padroeira dos ciganos e já estava acostumada com esta vida nômade. O Mouro ficou encantado com a naturalidade da moça, seu sorriso franco, seu jeito despreocupado, sua beleza natural, sua jovialidade, seus meneios juvenis. Era uma bela mulher, mas tinha um que de menina. A face de mármore de Sid  brilhou.Ela disse que leria o futuro de Sid,ninguém e´livre para ordenar o que vira amanha,pensou.Ela leu,muitas lutas,solidão ,um inventario de ilusões e de repente hesitante,silenciou.O Mouro notou.
Mais tarde, o Mouro deixou os convivas a vontade, com instalações para todos e se recolheu.
Ficou surpreso, cerca de meia hora depois com a visita de Sara aos seus aposentos. Ela perguntou a ele se ele a queria e ele disse que sim. Muito. Ela foi para o leito e foi como se almas celestes se encontrassem deixando traços indeléveis...
Atônito ficou ,quando pela manhã ,percebeu que ela partira; os ciganos também. Deixaram fitas e flores para o Mouro e se foram. Povo do vento, mesmo.
Os inimigos haviam reunido nova força e preparavam outra ofensiva.
Desta feita, O Mouro e outros oficiais montaram acampamento nas cercanias da cidade, com o objetivo de defender melhor Tulayoula.
Depois de varias escaramuças, os mouros esperavam o ataque mais forte, foi quando, uma noite,Tarik( o cão) ,começou a latir, a sentinela se afastou rápido e retornou com uma jovem segura pelo braço.Era Sara,o Mouro a convidou a entrar em sua tenda.
A  noite e´boa conselheira,pensou,em meio as exigências da profissão ,um Oasis de tranqüilidade,mesmo que passageiro,sentimentos indizíveis.
Estas visitas se tornaram freqüentes e eram vistas com bons olhos pelos companheiros de Sid. Ele não deixava de ser guerreiro e visita feminina sempre faz bem.
A batalha veio e com ela, nova vitoria Moura.
A cigana evaporou novamente.
O Mouro se perguntava se não fora algo que ela vira nas linhas de sua mão. Algo sepulcral.
No momento, a situação piorara, pois os cristãos se aliaram a outros reinos cristãos prometendo um ataque ainda mais avassalador que o anterior. A situação foi considerada crítica de tal modo, que a evacuação da cidade foi cogitada.
Os ciganos sabendo disto resolveram se retirar para outra cidade, ate´o fim do conflito,pelo menos.
Entre os nobres mouros, era senso comum, era um bom dia para morrer.
Começou a chover. No campo enlameado teve inicio a batalha.
Enquanto as carroças se moviam vagarosamente, Sara pensava no Mouro, seu destino...
E que enquanto ela errava por terras estranhas, ele estaria ao lado de seu estimado Profeta!
Sid, concentrado, pensava que todo homem deve se render a verdade. Seja ela qual for, e que morrer por Ala, o misericordioso era uma benção.
A luta durou o dia quase todo e mais uma vez, os Mouros venceram, mas com pesadas baixas. Entre outros, Sid e seu fiel cão,tombados sob uma chuva de flechas.
Na estrada, Sara teve a sensação de que alguém a chamara olhou para trás, só havia a chuva fina que caia sussurro de fonte escondida.

O que esta escrito nos Céus se cumprira na terra.
.MAKTUB.Estava Escrito.


Autor:Marco Antonio E.Da Costa.











terça-feira, 12 de janeiro de 2016

A Poesia em Machado.

                                         A Poesia em Machado de Assis.

                                                                “Só se vê bem com o coração.”
                                                                 Antoine de Saint-Exupéry (1900-1944)
                                                                     Escritor Frances.                                                                  
  

                                                          

.Conhecido por sua importante obra em Prosa, Machado de Assis, também teve seus dias de poeta, sobretudo no período nomeado Romantismo. Ficcionista ímpar inovou na poesia, com a concisão, equilíbrio e refinamento. “Livros: “Crisálidas,“Ocidentais”,”Falenas”,“Americanas”.
.Sua poesia tem tom reflexivo, contenção lírica  e equilíbrio retórico,prenunciando uma concepção de vida.Ha ecos de Camões e dos Franceses em seus versos.O pessimismo, marca registrada do autor pode ser detectada em algumas obras,”ocidentais”,por exemplo,na qual há ambigüidade e metafísica.

.Exemplo:

.NO ALTO.

“.O poeta chegara ao alto da montanha,
E quando ia descer a vertente do oeste,
Viu uma coisa estranha, uma figura má.
Então volvendo o olhar ao sutil, ao celeste,
Ao gracioso Ariel, que de baixo o acompanha,
Num tom medroso e agreste pergunta o que será.
Como se perde no mar um som festivo e doce,
Ou bem como se fosse um pensamento vão,
Ariel se desfez sem lhe dar mais resposta.
Para descer a encosta
O outro estendeu a mão.”

Comentário:  O poeta pondera aqui o desfecho da vida humana,representada na chegada de um poeta ao topo de uma montanha.Na subida e´acompanhado por Ariel,espírito jovial,que súbito, o abandona na jornada.A descida simboliza a velhice , o caminho para a morte,presidido por Caliban –oposto de Ariel,brutal-* cuja presença esta implícita.
*Figuras mitológicas.
.O “ outro” parece sugerir a experiência real.O espanto humano diante da inexorabilidade da morte.Uma poesia mítica, enquanto reflexão de uma angústia cultural; a morte.

.LIVROS E FLORES.

" Teus olhos são meus livros
  Que livro há ai melhor,
  Em que melhor se leia
  A página do amor?

  Flores me são teus lábios
  Onde há mais bela flor,
  Em que melhor se beba
  O bálsamo do amor? "

.Comentário: Poema de lirismo romântico explicito, referencia de Machado a Dona Carolina,sua eterna amada;companheira de toda uma vida.Nele notamos alguns aspectos caros aos Românticos;a saber: valorização da paixão,do sentimento,da natureza.
Idealização do afeto, valorização do subjetivismo e busca do sublime.




Obs. Poucas pessoas amaram como os Românticos, poucos sofreram como eles também...

Autor: Marco Antonio E. Da Costa.


 







domingo, 3 de janeiro de 2016

SAPPHO.

                                                            SAPPHO.   
                                              . Paul Verlaine.(1844-1896).
                                                   Poeta Simbolista Frances.
                                                    
                                                    
                                                        “Todo Homem é poeta quando esta apaixonado.”
                                                                 Platão, filósofo idealista do período clássico grego,
                                                                  (428 AC-328 AC. Atenas.)






Furiosa, olhos fundos e seios tesos,
Sappho,descontrolada pelo desejo
Corre como uma loba pelas praias frias.

Ela pensa em Phaon,esquecida dos ritos,
E vendo o vazio de seu desespero,
Arranca  os imensos cabelos,aos punhados.

Depois evoca acalmada pelo remorso,
O tempo em que brilhava pura, a jovem gloria
Dos amores, cantados em versos que a memória
Da alma, conta às virgens adormecidas.

Então, cerrando as pálpebras cansadas
Ela se joga no mar, de onde a chama a Moira,
E eclode no céu, incendiando a água escura
A pálida Selene,que vinga as amigas.



.Comentário:

.Safo poetisa grega, Século VII AC. conforme tradição lendária cometeu suicídio
Jogando-se ao mar de um penhasco, desesperada por ter seu amor não correspondido por Phaon, um marinheiro de Lesbos ;agraciado por Afrodite-deusa do Amor,com beleza e encanto incomparáveis.
Moira. 3 Irmãs que teciam o fio da vida ou o destino de todos, ate dos deuses.Usavam a roda da fortuna,um tear.No singular : Destino.
Selene.Deusa da lua,Irma de Helios,deus do sol.As amigas vingadas por Selene, certamente são referencia aos inúmeros corações femininos partidos por safo ,no passado.


Autor: Marco Antonio E. Da Costa.













                                                  

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Procura...

                                     PROCURA...



                                                                     “O luar e´a luz do sol que esta sonhando.”
                                                                       Mario Quintana, poeta gaucho (1906-1994).






Cada verso
                      Uma dor
Cada traço
                    Um rumor   
Sonhos trilhados
Rimas do coração,
                     In Versos


A terra, ventre fecundo, violada
Já não se importa conosco
Flores de asas
Brilhando na imensidão
Infância, saudade verdadeira
Vaga no ermo,
Na escuridão


Dia desse acordo POESIA,
Saio a´rua
Apago as luzes
E fico  a mira-la
linda, eterna
E romântica,
“a lua dos amantes.”



Autor: Marco Antonio E. Da Costa.









sábado, 12 de dezembro de 2015

Tempos Modernos

                                 .TEMPOS MODERNOS. ( Modern Times).

                                                                           “A vida e´uma peça de teatro que
                                                                               não permite ensaios.” Charles Chaplin.      
                                                                               Ator, diretor, roteirista e músico Britânico,
                                                                                                  (1889- 1977)         





.Este Ensaio pretende oferecer um comentário do filme, que representa um olhar critico
De Chaplin sobre o moderno mundo industrializado. Máquinas tomando o lugar de homens, criminalidade, servilismo, enfim; as mazelas sociais típicas da sociedade atual.
Com tempero romântico, e´uma comedia,de tom satírico e levemente ficcional.      

.Ficha Técnica: Título. Modern Times.  Ano. 1936. Estudio. United Artists.
Direção, Roteiro e música. Charles Chaplin. Elenco: Charles Chaplin, Paulette Goodard,Henry Bergman,Stanley sandforfd,Chester conklin. Gênero. Comédia. Idioma. Inglês
.Personagens de destaque:
.The tramp ( o vagabundo), *personagem recorrente de Chaplin,chamado no Brasil de “Carlitos”.
Simples, humilde, gentil, guarda um que de cavalheiro e nobre em meio aos farrapos que veste, e esta, sempre, envolvido em confusões com ricos e poderosos, que o desprezam pela sua classe social.
Ellen. Paulette Goddard. Pobre operaria solitária. A atriz ficou conhecida nos anos 40 por sua beleza exótica e seus casamentos, inclusive com Chaplin.
*The Tramp.  Cabível considerar aqui a presença constante do simpático vagabundo como protagonista nos filmes de Chaplin.
Ele seria, na verdade, o Alter-Ego de Chaplin, ( O outro Eu, cf. Freud).
Remetendo ao período da atormentada infância do ator em Londres,quando atuava no Vaudeville-teatro de variedades,tendo um pai bêbado e violento, que abandonou o lar e uma mãe que com o tempo, enlouqueceu. Não raro, sua família foi visitada pela fome, e sua antipatia por garçons e policiais ficou eternizada nas telas... A chance de mudança veio com uma turnê pela America, onde foi acolhido na Keystone Cops de Mack Sennet,rei dos curta metragens cômicos de então(cinema mudo).
Ironicamente, seu sucesso inaugural foi interpretando bêbados...
Pode se supor que o vagabundo era o outro eu de Chaplin,seu personagem oculto, que afinal vencera as adversidades,a fome, o desprezo,o escárnio,conseguindo não só a aceitação do publico, bem como sua admiração.

.Narrativa.
Numa grande fabrica, Um operário (Chaplin),desempenha o repetitivo trabalho de apertar parafusos.De tanto repetir a tarefa estressante, tem um colapso e e´internado em um hospital.Perdera de tal forma a razão que, na rua , persegue uma senhora para tentar apertar os botões de seu vestido ( cena antológica e mordaz). Vale a observação da critica ao Fordismo, doutrina produtiva, que defendia a produção em serie e que, a rigor, estratificava as atividades dos funcionários. Apos perder o emprego, nosso anti-heroi pega uma bandeira vermelha que caira de uma carro  e sem que perceba passa a ser seguido por vários manifestantes que protestam contra as condições de trabalho.(Hilário).
E´preso, acusado de liderar operários em revolta...Charlie conhece Ellen ,se envolvem,e os dois vão lutar contra a miséria e as adversidades.Arrumam trabalho e seguem suas vidas.
        


       
.Momento Histórico.
O filme e´feito no período que se segue á quebra da bolsa de valores de New York (1929), de efeitos mundiais; Tendo o governo us adotado o New deal.ou seja,programa econômico adotado pelo presidente Roosevelt 33-37 para combater a grande depressão; Guerra civil Espanhola; Avanço dos estados totalitários na Europa; Expansão comunista.;organização dos sindicatos.

.Comentário.
Chaplin quis mostrar que a utilização das máquinas acarretou dificuldades, e empregos em menor número  e qualidade.Desqualificação,escravidão,fatores facilitadores de criminalidade e ou exploração.Suas críticas fizeram do filme um clássico, mas, ao mesmo tempo,causaram desconforto em alguns governos,particularmente os totalitários,que chegaram a proibi-lo,ex,Alemanha e Itália, anos 30.Enfim, a modernidade  e´inevitável, porem o capitalismo e a industrialização ,como qualquer sistema ,requerem planejamento,sob o risco do sistema ser engolido pelo próprio capital e o operário pelas adversidades ,daí advindas.Em poucas palavras, ele parece buscar uma humanização  e valorização nas condições trabalhistas e uma visível aversão a produção em serie Fordista.





.Referencias:
.Historianet.com.br
.Chaplin,C Tempos Modernos.1936.United Artists.Califórnia.

Autor: Marco Antonio E, da Costa.